domingo, 14 de dezembro de 2008

É triste que Sol e Chuva quase não se vejam Os opostos em tudo têm essa tendência de se afastarem Pelo menos fora dos ramos da Física Fecho os olhos para encontrar o infinito que há dentro de mim Nessa puríssima escuridão, vejo O Sol se foi e chove sem parar Esperava encontrá-lo sentado no banco da praça Esperava sentar-me ao seu lado E um dia e uma noite inteira somente ouvir O silêncio que fosse É triste que Sol e chuva quase não se vejam Se acontece, no entanto, anjos estendem faixas coloridas para enfeitar o céu

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Why does he do this to me
I should be somebody who remember something good to him
Can I stay a little close tonight?
How can he say "don't love" if he don't even try?
I could forget this all
But only for a good reason

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Starving Eyes

Quando você entra no bar
E acende seu cigarro
Você encara quem te interessa com olhos famintos
Mas você pega outra cerveja
E isso vai subindo pra cabeça
Até você perder a compostura
Você tira a camisa
E expõe sua tatuagem mal feita
Mas é porque aqui faz muito calor mesmo
Você dança como se fosse a última vez
E não pára de gargalhar nunca
As horas passam e você nem repara que amanheceu
Daí você fecha a cara e tenta não tropeçar lá fora
À luz do dia você prefere não parecer tão vulgar
Você olha os garotos
E chora porque não consegue mais que uma noite
Eu não acho que você esteja procurando alguém bacana
Você só se preocupa com o corpo, com o carro
Você analisa os sapatos deles
Não podem estar sujos de barro
Você jamais ficaria com alguém que não more em um bairro nobre
Mas você é muito divertido
E está sempre cercado de muitos fãs
E não sei se é porque você estava muito alto
Ou se você realmente não é legal
Você me chamou de covarde
E disse que eu sacaneei a sua amiga
Mas você não quis tomar conta dela primeiro
Pensa nisso antes de atirar suas acusações
E seu cachorro-quente nos outros

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Trancelim

Guarda as pegadas que faço E eu te levo na memória Escreveremos nossa história Sem saber como dar o laço Quis gastar os dedos nas contas do teu rosário Abri as portas do meu armário para te mostrar a confusão Nos trançamos como uma teia Meu sangue corre na tua veia E não sabemos mais onde termina um e começa o outro Aos teus pés meu mundo inteiro Admira-te o mundo que dizes admirar Nossa liberdade nos marcou cicatrizes que lembram como doeu conquistar Prefiro te escrever minhas idéias amarelas Destranco pra ti as minhas janelas E não entendo quando tens que te ausentar Não existem estradas para (os) nós Andamos entre desvios Protege as pegadas de vento e chuva Que teu rosário será sempre meu desafio

Ser bom de novo

Meu quarto vive em completa desordem. São sapatos em todos os cantos, folhas de papel que não acabam mais, livros nos lugares mais inusitados e roupas espalhadas pelo chão. Já achei possível mantê-lo limpo e organizado. Já juntei vassoura, criatividade e disposição, mas não consigo conservar algo diferente de mim por mais de dois dias. Não era assim quando eu morava com minha mãe. Decerto que ela me obrigava, periodicamente a arrumar a bagunça daquele pequeno pedaço da minha vida mas, desde que sai de casa, perdi o controle sobre todos os outros cacos também. E quem disse que eu poderia tudo sozinho? Aliás, tenho ouvido falar sobre a pessoa que me tornei desde que me deixaram sozinho: muito agressivo, cheio de auto defesas. Eu sei que, na verdade, estou me acabando velho, vazio e secando. Meus sonhos murcharam com uma flor e não consigo sequer empilhar folhas de papel. Todos os sapatos, livros e roupas se espalham porque eu já não junto mais os meus pedaços. E, se vem alguém que preciso impressionar, faço de conta que ainda sou aquele de outrora. Cato todas as coisas largadas no caminho da cama e entulho dentro do guarda-roupas. Mas também não dura dois dias... Eu sou meu próprio quarto. Tem boa aparência pra quem chega, mas no fundo é uma desordem.

Tempos de tempestade

Dias ruins começam com um bolo na véspera. Defitivamente. Depois se seguem dormir mal, acordar atrasada, chegar depois do chefe e descobrir que o processo que você ficou fazendo em casa até meia noite e precisa apresentar impresso até às dez da manhã, ficou gravado em um disquete que não abre. Você reza pra pegar o mais rápido possível uma alergia perversa que vai deixar seus lábios do tamanho de uma laranja e a pele vermelha que nem um tomate, pra ficar na cara que você realmente tem um problema e precisa de uma dispensa para ir ao médico.Lila sabe bem o que é isso. E o que ela costuma fazer nessas situações é desenvolver um curioso colapso nervoso sintomático de respiração ofegante, dislalia e dor de barriga. Para dias ruins, Lila sugere um galinho de arruda, sempre a postos, para o caso impossível de não conseguir reclusão em domicílio, repouso de doze horas e abstinência de qualquer estreitamento com o mundo exterior, seja ele uma simples conversa por telefone. Que dirá sobre contato sexual(?) como suas amigas gostariam que tivesse feito no fim de semana. Lila adora ser a amiga solteira de meninas que namoram. Pois essas sempre saem com os namorados e a convidam para ir junto. Lógico que os namorados das amigas preferem um momento a sós, mais íntimo, e por isso levam junto seus amigos solteiros para apresentar à Lila. Apesar de dias ruins no escritório- um lapso pois Lila é muito esforçada e eficiente- ela não pode reclamar que não esteja apostando alto na loteria do amor. E agora sim, investindo em vários bilhetes.Tudo bem que tudo tenha dado errado hoje. Tudo bem que ela recebeu um bolo na véspera e em seguida uma promessa não cumprida de encontro. Isso pode significar muitas coisas, inclusive que ele simplesmente não está afim dela. Mas apesar de tudo, Lila quer deixar bem claro que não tem nada a ver com fato de Fábio ter se separado da esposa...

Tempo da delicadeza- Ponto de vista número dois

Apesar de andar sempre muito atarefado também, não quero o tempo da delicadeza... Muito marasmo e repetição de idéias. Quero movimento e ansiedade, frio na barriga e a sensação de que o coração está tão acelerado que pode parar a qualquer momento... Quero me apaixonar até doer, quero conhecer, descobrir, desvendar. Não quero tempo para roubar ventos, procurar espinhos na clareza da água, criar peixes coloridos no fundo dos bolsos. A imagem que se apresenta é belíssima, de um bucolismo sem medida, mas só me vejo sozinho nas metáforas. E me proibo me acostumar- quiçá gostar- dos vazios e dos infinitos. Carregar água na peneira... Sentimento trabalhoso. E por demais infértil. Quero preencher vazios e, definitivamente, ser amado por meus despropósitos...