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domingo, 4 de abril de 2010
Nem que eu subisse no topo do morro mais alto, eu me esqueceria de você. Nem se eu chegasse no canto mais íngreme, na parede vertical da montanha mais pra cima. Nem se eu alcançasse o ponto mais alto do mundo. Nem se eu estivesse tão alto, mas tão alto que a amplidão da mente deixasse a vista turva e eu não pudesse ver. Nem que eu desbravasse o mais gélido pico despovoado. Nem assim, você deixaria de povoar meus pensamentos. Nem com a altitude em quilômetros e o ar rarefeito tampando os ouvidos parcialmente. Nem que não houvesse o que se pensar e fosse apenas eu. Nem assim, eu deixaria de pensar em você
domingo, 15 de novembro de 2009
Agora eu o vi...
Duas vezes.
Conversamos distraídos porque disfarcei uma série de sensações.
Desejou-me boa viagem e eu viajei que ele iria me procurar como um louco.
Afinal de contas, agora eu uso moicano, sandálias de couro, tenho cavanhaque, estou oito quilos mais forte, muito mais seguro, mais maduro.
De repente isso assusta demais, não é?!
De repente ele que não é mais para mim mesmo e eu é que devo me convencer disso.
Mas como pode alguém te deixar apaixonado por quase seis anos e simplesmente se mostrar completamente desencanado de você?
Como pode ele não ligar, não adicionar no orkut, não querer acompanhar meu twitter?
Pois é, ele não quer...
sexta-feira, 31 de julho de 2009
Globo repórter
Dentre todas as pessoas da minha idade, nesta encarnação, eu devo ser o único que está em casa, sexta-feira à noite, assistindo o Globo repórter. Mas a matéria de hj é sobre um assunto que eu entendo muito bem: infidelidade. Hehe- os dois lados da moeda. Eu podia escrever um manual inteiro sobre isso.
"Os homens traem porque querem sexo enquanto as mulheres traem porque buscam o carinho que não tem em casa."
"O horário de maior movimento nos motéis é durante o almoço."
"Trair é quebrar um acordo preestabelecido entre o casal."
Já tá quase no fim e ainda não me disseram, no programa, nenhuma novidade!
Pra começar, a única pessoa que namorei, dos 18 aos 21 anos, me encheu de chifre- tanto e tantas vezes que bastou um rapaz mais engraçadinho aparecer na praia pra ele se aproveitar da vantagem que tinha, pelo fato de eu morar em outro estado, para me trocar por uma pessoa que morava muito (mas muito) mais longe- na Alemanha! É, vocês entenderam bem: Alemanha! Pode isso?
Eu fui fiel por quase dois anos nesse relacionamento. Traí quando passei a morar distante- lá pelos últimos quatro meses. Minha desculpa é que houve momentos em que ele não poderia estar comigo e eu realmente precisava do colo de alguém. Minha mágoa é que, do contrário dele, eu nunca me envolvi. Nunca troquei telefone. Nunca fui além de um encontro pra aquecer a cama e minha alma solitária. Tudo bem que estou romantizando o adultério quando o justifico dessa forma, mas afinal de contas, estou falando de mim, né?
O fato é que me arrependo de ter traído. Não me levou a lugar algum, não conheci alguém que pudesse substituir o amor que perdi, não existe compensação nenhuma no sentimento de vingança, não posso jogar na cara do meu ex que a culpa foi dele e só dele. Porque na verdade foi mesmo e é uma culpa que se estende por muitos e muitos anos além daquele oito de janeiro em que ele terminou comigo. Exemplos: eu sonho com ele até hoje e, sempre que acontece, acordo num susto, encharcado de suor. Faço terapia porque não consigo esquecê-lo. Tenho preconceito com gente muito branca ou qualquer coisa que me lembre a Alemanha. Não consigo me relacionar com ninguém sem que o fantasma do passado se erga com sua sombra dominadora. Acabo usando as pessoas e sofro, sofro, sofro. Dói imaginar que errei em algo, que faltei de tal forma a ponto de fazê-lo querer buscar calor em outros braços. Dói saber que ele está até hoje com essa pessoa, feliz e satisfeito, enquanto eu vivo sonhando com um tempo que já foi.
Muitos dos meus textos aqui, referem-se ao Tony. Minha música fala claramente dele e da forma como terminamos. Ele povoa meus pensamentos todos os dias. Não há uma só pessoa que me conheça e que nunca tenha ouvido falar dele. Alugo mesmo o ouvido dos meus amigos!
Mas acho que essa coisa de escrever mexe demais com a gente. To analizando aqui e... Poxa, como ainda posso querê-lo depois disso tudo? Vou pedir pra Valéria encerrar o ciclo!
Mas antes, deu aqui no Globo Repórter que infidelidade comprovada pode gerar processo com pedido de indenização. Fiz umas contas aqui e acho que o crime dele ainda não prescreveu... Hehe. Licença aqui, mas eu preciso ligar pro meu advogado...
terça-feira, 19 de maio de 2009
Oito de janeiro
Ela entra na sala sem que eu perceba
Acende um cigarro
Senta na minha poltrona predileta
E começa seu sombrio questionamento
Eu me recuso a responder
Mas fico remoendo aquilo na minha cabeça
Eu preferia que você não tivesse voltado
Que não me sufocasse sem sair do lugar
Onde eu estava oito de janeiro?
Por que estou sozinho de novo?
Ela é silenciosa e educada
Mas implacável e ameaçadora
Ela me diz o que não quero ouvir
"Você achava que havia tanto amor que
simplesmente não acabaria da noite para o dia?
Que era questão de tempo até baterem na porta e,
fora de si de tanta remorso,
imaginando se já não seria muito tarde para reivindicar a você,
lhe suplicassem por perdão?"
Onde eu estava oito de janeiro?
Depois, ela oferece proteção
Me leva até a varanda
E me faz querer cair através da rajada de vento
De alguma forma e bem depressa
isso facilitaria tudo.
Por que eu estou sozinho de novo?
Onde eu estava oito de janeiro?
domingo, 26 de abril de 2009
Saudade
Queria que você fosse um mal partido
Que ainda mais tivesse me traído
Mas não me pusesse de lado
Que você tivesse empobrecido
Que virasse um bandido
Mas não tivesse me contrariado
Qualquer coisa que acontecesse contigo
Seria melhor do que eu ser rejeitado
Queria que você tivesse adoecido
Que tivesse morrido
Mas não me deixado
segunda-feira, 20 de abril de 2009
Vontade vazia
Você diz que conheceu outros dois
e que um deles era perfeito.
Assim, vc me deixa sem jeito,
sem ter o que falar.
Eu confesso que dei uns beijos,
assim, sem caprichar na qualidade.
Só pra satisfazer minha vaidade
e não acordar sozinho.
Mas, falando em massagear o ego,
você, jurando que foi sincero,
queria só que eu soubesse.
A sua verdade não me engana,
estou acostumado a fazer a cama
e ver outro se deitar.
Não se comporte como meu ex
que, assim, eu sumo de vez.
Dá vontade de matar.
É uma vontade vazia
mas é bom que não se esqueça.
Ainda encho de óleo fervente uma bacia
e derramo na sua cabeça
domingo, 1 de março de 2009
10 motivos para não ficar com ele
Eu sento nu na janela do apartamento
Sou observado pelas senhoras no ônibus
- Eu me entrego a amantes desconhecidos.
- Sou fútil, urgente, despreocupado.
- Sinto dúvida, culpa, dor.
- Perco as horas e o espaço.
- Tenho coriza.
- Tenho catorze reais e algumas moedas.
- Não teria começado a fumar.
- Não trocaria o dia pela noite.
- Não me perguntaria tantas coisas inúteis.
- Não sei se isso vai passar.
É tudo culpa dele...
quinta-feira, 8 de janeiro de 2009
Ele
Ele veio, sorriso estampado
Chegou devagar, quase atrasado
E te fez duvidar
Romântico, interessado
Ficou do seu lado
O banheiro não pode falar
Um lobo malvado
Um tanto atordoado
Bebeu e não quis se drogar
A luz, o som, o efumaçado
E aquele homem tatuado
Você ajoelhado
A um passo de acreditar
Teu sol nasceu quadrado
Você acorrentado
Prometeu que ia ligar
Mas seria um achado
Realmente um caso raro
Se isso fosse confirmar
Feito um disco arranhado
Você espera sentado
Esse dia não virá
Mas não fique magoado
Não se mostre preocupado
Que outra noite vai chegar
domingo, 14 de dezembro de 2008
É triste que Sol e Chuva quase não se vejam
Os opostos em tudo têm essa tendência de se afastarem
Pelo menos fora dos ramos da Física
Fecho os olhos para encontrar o infinito que há dentro de mim
Nessa puríssima escuridão, vejo
O Sol se foi e chove sem parar
Esperava encontrá-lo sentado no banco da praça
Esperava sentar-me ao seu lado
E um dia e uma noite inteira somente ouvir
O silêncio que fosse
É triste que Sol e chuva quase não se vejam
Se acontece, no entanto, anjos estendem faixas coloridas para enfeitar o céu
segunda-feira, 17 de novembro de 2008
Ninguém é perfeito
Mas como pode ser tão bem feito
Se tem um defeito assim?
Fez faltar o pão na minha mesa
Apagar minha chama acesa
E emudecer o meu clarim
Tive vontade de me esconder no mato
De apertar o meu sapato
Me acabar no botequim
Desfaleci meus sentimentos
Me entreguei a pensamentos
Que não tiveram mais fim
Quis me entregar ao choro
Quis que não houvesse socorro
Quis me perder de mim
Quis que vivesse ao meu lado
Mas que coisa, tem namorado
E eu fiquei cor de carmim
Fumei algum cigarro
Quando não sobra nenhum pedaço
Quero ser todo ruim
Mas vou catar calor em outros braços
Caminhar pra criar laços
Com quem não me ache tão chinfrim
Eu esperei o dia passar
Pra saber que nossa história não teria final feliz
E quando o sol do novo dia despontar
Vou ouvir essa canção que eu mesmo fiz
Você sabe que é errado
Você faz e não quer saber
Que o meu coração despedaçado
Já foi tão maltratado
E agora mesmo por você
Você diz que é verdade
Me lava os olhos de saudade
Mas não posso acreditar
Te esperei minha vida inteira
E você me deixa no fim da feira
Tendo tanto pra arrumar
Sei que foi por maldade
Mas que você tenha a bondade
De me reparar o coração
Que o seu tom saia do fundo do peito
E que você tenha muito respeito
Quando cantar essa canção
...Em tous temps
Brasília é um gelo nessa época do ano. Hoje eu tomei um banho frio pra despertar. Do sono e do sonho.
Do sono que sinto por minhas noites mal dormidas, por meu trabalho que me consome, minha dor que não cessa e pela boemia que não consegui abandonar como muitas vezes prometi.
Do sonho que tive de ter pra mim um anjo que não quer. Não quer ser anjo, não quer ser meu. Que me disse não ter asas mas voou pra tão longe que não pude alcançar. Voou tão alto que me escapou das mãos.
Escorreu meu sonho como essa água fria que me adormece o corpo. Me fez despertar da vontade que tinha de vê-lo, da saudade que queria sentir, dos encontros que desejava acontecessem, do anseio que nutria em não ver meus dias passando simplesmente, sem objetivo, da necessidade que tenho de me saber vivo, de ter esperança.
Levou consigo tudo o que havia. E minha ilusão foi sugada pelo ralo, roubada de mim a única coisa que restava, o último recurso ao qual me agarrei com todas as forças, desesperadamente.
E, violento, se foi sem molhar suas asas. Sem ebriar o seu vôo. Sem olhar para trás. Sem pena de mim.
Brasília é um gelo nessa época do ano. Hoje eu tomei um banho frio pra despertar. Lavar a alma... Lavar a alma...
Só!
Não fui só um passatempo para as três semanas de folga de alguém.
Não fui uma pessoa que passou simplesmente pelas horas de outra.
Não fui algo que aconteceu e só.
Disso tenho certeza. Ou nisso quero sinceramente acreditar... Mas o que sou agora? Uma lembrança? Vaga lembrança? Como se pode sair da vida de alguém e não ligar mais? Apenas responder as mensagens como se fôssemos amigos só? Só... Acho que esse é nosso problema. Conhecemos um alguém super bacana que se mostra hiper interessado e passa altas horas conversando a passamos a querer tirar dali algo que vai ser demais, pra vida toda talvez. Mas, no fim... É só!
Não estou decidido quanto a isso ainda. Nem sei exatamente o que pensar ou fazer. Mas "só" pra mim costuma ser pouco. Prometi a mim mesmo que jamais iria me relacionar com alguém que só poderia me oferecer migalhas. De tempo, de atenção, de respeito. É, no mínimo desatenção com meus sentimentos não se dar ao trabalho de escrever uma mensagem no celular. Uma vez, eu tava atolado no trabalho e não tinha tempo nem pra sair da minha sala para ligar. Eu escrevi uma mensagem que dizia mais ou menos assim: "Meu anjo, não estou com tempo de falar mas resolvi mandar essa mensagem pra dizer que te adoro e estou pensando em você."
Simples não é? E não é pouco por sinal. Gostei dele de verdade... Mas acho que todos os homens deveriam ser como eu.
Noite no bar, veio do aeroporto. Cumprimentou a todos a foi estrela.
Festa de aniversário. Comeu, bebeu e soluçou. Pediu um cigarro. Só se você me der um beijo... Queria muito um cigarro.
Música, cerveja e comida. O samba embalava olhares e os corpos tremeram ao se tocar. Novo beijo, sem negociação dessa vez. E outros beijos. E todos os beijos do mundo. Foi pra casa dormir. Foi estrela do dia e deixou seu cheiro no edredon.
O telefone lhes permitiu um dia inteiro de bate papo. Passeio no shopping. Dois amigos. Mc Donald's, salada. Saciavam as vontades de beijo sempre que não podiam ser vistos. Não quero pensar que você precisa ir. Não posso minimizar esse momento por medo do quanto será ruim sem você. Foram para casa e saciaram outra vontade, aquela que não se sabe porque dá ou como vem...
Lua de mel na cidade pequena. Choro, ronco, remela, mau hálito. A vida inteira que podia ter sido e que não foi. Foram estrelas da vida nas noites em que uma só estrela dá.
Me surpreenda. Vinho, queijo e batata frita à beira do lago. Altas horas. Compreende a importância que isso terá na minha vida? Muitas estrelas e a sensação de... Não sei. O que acho melhor em você é poder te desvendar aos poucos. Descobrir devagar as coisas que tem guardadas aí dentro. Aumentava a necessidade de se ver, de estar. Como nunca antes. Como nunca mais.
Faltou ao trabalho. O tempo agora escorria pelas mãos. Cruel o tempo que não se pode deter. Adiou a passagem. Comemoraram nas mesas de bar, nas águas do clube, nos ritmos do show, nos lençóis do quarto. E a música sempre embalando. Som e milhares de estrelas.
Pegou uma virose e foi pro hospital. Três dias de cama. Os dois apenas e os versos de Chico Buarque. Deixou uma carta, não de amor mas de entrega, total entrega.
Foi para o aeroporto e chorou no carro. O outro chorou num canto.
Sumiu. Deve estar voando ainda. No céu ainda. Onde as estrelas costumam estar.
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